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O Caminho para ressignificar a perda
Perder alguém ou algo dói, mas perder quem éramos dói mais ainda. Neste artigo, eu exploro como o término de ciclos, como: relacionamentos, mudanças, carreira e etc... nos convoca a encarar o vazio. Descubra como a Psicanálise e a YogaTerapia se unem para transformar esse luto em um solo fértil, abrindo espaço no corpo e na mente para uma nova vida florescer.
Aline Sena
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Quando ouvimos a palavra "luto", nossa mente viaja instantaneamente para a morte física. No entanto, a vida é composta por muitas outras "pequenas mortes" que, embora não envolvam o fim da biologia, marcam o fim de um mundo que conhecíamos.
Seja o fim de um casamento, a partida para um novo país, a perda de um cargo ou a chegada da aposentadoria, a dor que sentimos tem uma raiz comum: não perdemos apenas o outro ou o status... perdemos quem éramos naquela relação ou função.
A dor da identidade perdida
Na psicanálise, entendemos que nossos investimentos afetivos (a libido) ficam depositados em pessoas, projetos e lugares. Quando isso nos é retirado, o ego se sente esvaziado. A pergunta que ecoa no silêncio da casa nova ou do escritório vazio não é apenas "o que eu faço agora?", mas sim "quem sou eu agora que não sou mais esposa, diretor ou morador daquela cidade?".
Essa desorientação é legítima. É preciso tempo para que a mente processe que aquela moldura antiga não nos cabe mais.
O vazio: de abismo a terreno fértil
A tendência natural é tentar preencher o vazio imediatamente. Compramos, ocupamos a agenda, buscamos substitutos. Mas a proposta do YogaPsiquê é um convite ao oposto: habitar o vazio.
Pela Psicanálise: A fala permite dar contorno à dor. Ao nomear o que foi perdido, transformamos o "buraco no peito" em história. Entendemos que o luto é o processo de desapegar da imagem antiga para que o desejo possa renascer.
Pela YogaTerapia: O trauma e a perda se instalam no corpo. Ombros pesados, respiração curta, peito fechado. Através do movimento consciente e do Pranayama (respiração), abrimos espaço físico onde havia contração. Se o corpo se abre, a mente entende que há espaço para o novo.
Abrindo espaço para o "Eu" que está por vir
O vazio não precisa ser um vácuo de desespero, ele pode ser o espaço de manobra necessário para a criação. No Yoga, aprendemos que o equilíbrio nasce do espaço entre as vértebras, do intervalo entre a inspiração e a expiração.
Quando paramos de lutar contra a perda e aceitamos o espaço vazio, permitimos que uma vida mais autêntica, menos dependente de rótulos externos e mais conectada com a nossa essência, comece a brotar.
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Exercício de escrita terapêutica: honrando a versão que partiu
Este é o exercício mais potente para quem sente que perdeu o chão. Ele ajuda a separar quem você foi de quem você pode ser agora.
Instruções: Reserve 15 minutos em um lugar calmo. Se possível, faça três respirações profundas antes de começar, soltando o ar pela boca com um suspiro. Escreva uma carta para você mesmo(a) na versão do ciclo que se encerrou.
Siga este roteiro:
O Reconhecimento: "Eu escrevo para a [Seu Nome] que viveu em [cidade/relação/trabalho]. Eu reconheço tudo o que você construiu e o quanto se dedicou a ser essa pessoa."
O Agradecimento: "Obrigado(a) por ter me protegido e por ter me ensinado que [cite um aprendizado desse ciclo]."
A Liberação: "Eu entendo que esse ciclo acabou. Eu te deixo ir com amor, para que o espaço que você ocupava agora possa ser preenchido por novas versões de mim."
O Compromisso: "A partir de agora, eu me comprometo a descobrir quem eu sou além desse papel."
Ao terminar, sinta o peso saindo dos ombros. O papel contém a história e o seu corpo agora contém espaço.
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